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COP 30: quando discurso verde esbarra no poder econômico


Por Beatriz da Paz - The Washington Post

08/11/2025



As últimas sessões da 30ª Conferência das Partes (COP 30), que está ocorrendo neste final de semana (7 a 9 de novembro), tiveram como tema principal investimentos sustentáveis, com objetivo de amenizar os impactos das mudanças climáticas e acelerar a transição energética global. Com foco na criação de novos fundos climáticos e na cooperação internacional, as delegações têm enfrentado discussões intensas que destacam um dilema antigo: o que realmente importa para esses países?


A delegação dos Estados Unidos, representante da maior potência econômica mundial, manifestou forte oposição ao uso de recursos públicos para financiar novos fundos. Em vez disso, defende a participação do setor privado como principal fonte de financiamento, propondo o vínculo das Nações Unidas ao Fundo Verde para o Clima e incentivando parcerias público-privadas como solução de médio prazo.


Por outro lado, países em desenvolvimento, especialmente os latino-americanos e africanos, enfatizaram que a transição energética justa só será possível se houver engajamento real das grandes potências. Essa divergência de opiniões evidencia a discrepância entre o discurso e a prática: enquanto as maiores economias do mundo defendem o mercado, as nações mais vulneráveis lutam por justiça climática.


Portanto, é evidente que as potências mais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa continuam relutantes em assumir plenamente suas responsabilidades, preferindo por terceirizar o enfrentamento da crise climática ao setor privado. Assim, a COP 30 se expõe não apenas como um palco de negociações, mas também como um teste de credibilidade global na luta contra a degradação do meio ambiente.

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